Shopping, escritório ou galpão: como investir em FIIs em 2026, segundo o BTG

Após um 2025 de forte desempenho, o mercado de Fundos Imobiliários (FIIs) inicia 2026 com combinação de otimismo e maior seletividade. O ano passado foi marcado por recordes: o índice Ifix, da B3, atingiu máximas históricas e os FIIs movimentaram R$ 3 bilhões. Para este ano, mesmo com um cenário macroeconômico mais favorável — que inclui a perspectiva de queda de juros —, o ambiente ainda exige cautela, segundo relatório do BTG Pactual assinado por Daniel Marinelli e Matheus Oliveira.
A tendência de queda da taxa básica de juros Selic deve guiar o ano. O ciclo de cortes deve diminuir a volatilidade e favorecer ativos com maior risco, segundo o banco de investimentos. Os investidores não podem esquecer, porém, que o mercado deve estar mais nervoso em 2026 por ser um ano eleitoral.
“Dado que será um ano eleitoral que tende a aumentar a volatilidade, avaliamos que a alocação em 2026 deva ser mais criteriosa, privilegiando fundos maiores, com boa estrutura de capital e com ativos de qualidade”, informa o banco. “Para 2026, nossa visão parte de um cenário macroeconômico mais construtivo.”
Por isso, a recomendação dos analistas é aumentar a exposição aos fundos de tijolo de forma gradual, aproveitando janelas de oportunidade,  sem movimentos bruscos. O foco deve estar na qualidade: fundos maiores, com ativos bem localizados e fluxo de caixa previsível, aproveitando alguns descontos.
“Entendemos que os fundos de tijolo já realizaram um ajuste relevante (em especial àqueles com maior patrimônio e liquidez), porém, analisando setorialmente, diversos segmentos ainda negociam com desconto em relação ao valor patrimonial e devem continuar se apreciando ao longo do ciclo”, explicam.
A ideia de evitar movimentos muito intensos é também por se tratar de um ano eleitoras. "Podem surgir janelas de oportunidade para a entrada a preços mais atrativos. A alocação será feita de forma progressiva, com foco na qualidade dos ativos, localização consolidada e previsibilidade do fluxo de caixa”, afirma o BTG Pactual.

O brilho dos shoppings e o desconto dos escritórios

O segmento de shopping centers continua sendo um dos setores preferidos. Em 2025, ele liderou as performances com uma alta de 29,1%. Mesmo assim, o BTG aponta que ainda há espaço para crescer, já que esses fundos negociam, em média, com um preço sobre valor patrimonial de 0,88x, ou seja, com 12% de desconto. 
Um ponto curioso que pode dar um empurrão extra no consumo é a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o que beneficia diretamente as classes B e C, público fiel de muitos shoppings do setor. Operacionalmente, os últimos dados de 2025, referentes ao terceiro trimestre, mostram um cenário sólido, com crescimento de vendas de 7,2% e vacância em 5,2%.
Já as lajes corporativas estão mais defasadas em termos de preço, na opinião dos analistas. Os escritórios ainda não acompanharam a melhora operacional que já bateu à porta. Ao mesmo tempo, o nível elevado dos juros favorece os fundos de papel, que devem seguir entregando um carrego elevado, especialmente aqueles com exposição à inflação.
Os analistas acreditam, ainda, que há um potencial de valorização reprimido, especialmente em regiões nobres de São Paulo, como Faria Lima, Pinheiros e Vila Olímpia. Neste cenário, “as lajes corporativas seguem como um dos segmentos mais defasados do mercado em termos de valuation”, na explicação do BTG. 
No setor de logística, a situação é um pouco diferente na visão do banco. A demanda por galpões de alta qualidade continua firme, mas os preços das cotas já estão mais esticados, negociando a 0,92x do valor patrimonial. Isso significa que o investidor precisa ser ainda mais criterioso na escolha.
“Nos galpões logísticos, a demanda permanece sólida e o crescimento dos aluguéis deve continuar, refletindo a escassez relativa de ativos de alta qualidade. No entanto, o segmento já negocia mais próximo do valor patrimonial, o que limita o potencial de reprecificação e torna a seleção de ativos ainda mais relevante”, detalha o BTG.



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