Depois de iniciar o pregão desta sexta-feira, 16, próximo da estabilidade, o
Ibovespa perdeu força ao longo do dia e firmou queda,
pressionado pela alta dos juros futuros após a divulgação de dados econômicos acima do esperado no Brasil.
O principal índice da B3
encerrou o dia em baixa de 0,46%, aos 164.800 pontos, depois de ter tocado a máxima de 165.872 pontos. Apesar do recuo e dele ter
interrompido dois recordes duplos consecutivos, o
Ibovespa fechou a semana com alta acumulada de 0,88%.
O movimento refletiu principalmente a
reação do mercado ao IBC-Br, considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que avançou 0,7% em novembro,
acima da mediana das estimativas do mercado, de 0,4%, reforçando a percepção de que a atividade econômica segue resiliente.
A leitura, no entanto, aumentou as
dúvidas sobre o início do ciclo de cortes da Selic já em março, hipótese que vinha sendo
considerada por parte do mercado.
Com isso, os
juros futuros abriram prêmios ao longo de toda a curva, pressionando especialmente os setores mais sensíveis ao custo do crédito. No fechamento, o DI para janeiro de 2027 subia a 13,805%, enquanto os contratos de janeiro de 2029, 2031 e 2033 avançavam para 13,195%, 13,495% e 13,660%, respectivamente.
"A Bolsa iniciou o dia positiva, mas reverteu o movimento com a alta dos juros após o IBC-Br mais forte que o esperado", afirmou Bruna Centeno, economista e sócia da Blue3 Investimentos.
Segundo ela, o dado de atividade colocou em xeque a possibilidade de um afrouxamento monetário mais próximo, o que
pesou sobre os ativos de risco.
"O boletim Focus reforça a expectativa de Selic em 12,25%, o que abriria espaço para o início dos cortes a partir de março. No entanto, com a atividade econômica mais forte, essa perspectiva pode ser colocada em dúvida, já que o cenário reduz a margem para um afrouxamento monetário", afirmou Centeno.
Petróleo freia queda e Vamos cai 9,09%
No mercado de ações, os
papéis ligados à economia doméstica lideraram as perdas, com destaque para empresas mais alavancadas e sensíveis aos juros. As small caps tiveram desempenho negativo, e a
Vamos (VAMO3) figurou como a maior queda do dia ao ceder 9,09%.
Segundo Max Bohm, estrategista da Nomos, o papel é um dos mais sensíveis à variação das taxas por conta da alavancagem financeira acima da média, superior a três vezes a dívida líquida sobre o Ebitda, o que amplia o impacto da abertura dos juros longos sobre a ação.
"Esse cenário de juros longos abrindo as suas taxas impacta significativamente a Vamos, por isso que ela é uma das maiores quedas", disse Bohm.
As perdas do índice, no entanto, foram parcialmente limitadas pelo
desempenho positivo do setor de petróleo. A alta da commodity, em meio à reavaliação dos riscos geopolíticos no Oriente Médio, impulsionou as
ações da Petrobras, que avançaram 0,79% nas preferenciais (PETR4) e 0,27% nas ordinárias (PETR3),
ajudando a sustentar o Ibovespa.
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