Cyrela, Direcional, Even e Lavvi caem após dados prévios do 4T: o que mercado achou?

Construtoras

As construtoras e incorporadoras Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3), Even (EVEN3) e Lavvi (LAVV3) divulgaram seus dados operacionais referentes ao quarto trimestre na noite de quinta-feira (15). As prévias trouxeram leituras mistas para o setor imobiliário, com diferenças relevantes entre empresas e segmentos de atuação.

CYRE3 caiu 1%, a R$ 24,70, Direcional fechou em baixa de 5,70%, a R$ 12,73,, Even 2,07%, a R$ 7,10, e Lavvi 3,56%, a R$ 16,25.

Cyrela (CYRE3)

As vendas líquidas da Cyrela somaram R$ 2,50 bilhões, alta de 6% em relação às estimativas do JPMorgan, mas queda de 31% na comparação anual. Os lançamentos totalizaram R$ 3,44 bilhões, 23% acima das projeções do banco, embora também representem recuo de 31% ano a ano.

Com isso, a velocidade agregada de vendas ficou em 17,2%, queda de 14,2 pontos percentuais em relação ao 4T24 e de 1,5 ponto percentual na comparação trimestral, no menor nível desde o 1T23. Além disso, as vendas de estoques concluídos voltaram a acelerar levemente na comparação sequencial, somando R$ 195 milhões, ante R$ 185 milhões no 3T25.

O JPMorgan reitera classificação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 44,50.

Na avaliação do Itaú BBA, a Cyrela apresentou resultados operacionais satisfatórios no quarto trimestre de 2025, com vendas líquidas sólidas de R$ 3,3 bilhões, em linha com as expectativas, e velocidade de vendas de 17%, apesar de lançamentos 32% acima das projeções do banco. Os analistas reconhecem que o ambiente macroeconômico segue desafiador e que o mercado de média e alta renda está mais competitivo, mas mantêm recomendação de compra e preço-alvo de R$ 39.

O BBA destaca o balanço patrimonial extremamente sólido da companhia, sua execução superior e o fato de cerca de metade do resultado estimado para 2026 estar atrelado a projetos de baixa renda, considerados mais defensivos. As ações negociam a apenas 5,1 vezes o lucro por ação e a cerca de 1,0 vez o valor patrimonial líquido estimado para este ano.

Já o BBI classifica a prévia operacional como ligeiramente negativa, principalmente pela queda da velocidade de vendas caiu para 45,2% em 12 meses, com vendas líquidas totalizando R$ 9 bilhões em 2025, baixa anual de 1%.

“A Cyrela apresentou números operacionais modestos, apesar da leve queda na VSO  (vendas sobre oferta), apoiada por lançamentos ainda fortes no 4T25”, comenta BBI. O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 22.

Na avaliação do Goldman Sachs, a prévia operacional do 4T25 foi positiva, uma vez que as vendas superaram as expectativas, impulsionadas por lançamentos acima do esperado. O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 34.

A XP Investimentos classifica os dados operacionais da Cyrela como fracos, principalmente devido ao desempenho de vendas abaixo do esperado no segmento de alta renda, parcialmente compensado pelo desempenho resiliente no segmento de baixa renda.

A XP mantém classificação de compra e preço-alvo de R$ 37,0 por ação.

Direcional (DIRR3)

O Itaú BBA avalia que a Direcional reportou resultados operacionais fracos no 4T25, com um ritmo de vendas ligeiramente abaixo do esperado, de 21%, e a geração de fluxo de caixa livre relacionada principalmente a eventos não recorrentes (venda da Riva e securitizações).

As ações têm sofrido pressão recentemente, mas o BBA reafirma sua confiança na MCMV e acredita que a empresa deverá retomar o ritmo de vendas devido à forte capacidade de pagamento e a fatores favoráveis ​​adicionais no horizonte. Negociando a uma avaliação atrativa de 7,5 vezes o P/L ajustado estimado para 2026, o BBA manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19,70.

O BBI, por sua vez, revisou para baixo o lucro líquido projetado para 2026 em 12% em relação ao anterior e em 7% em relação ao consenso, e introduzindo um novo preço-alvo para 2026 de R$ 22,00, para levar em conta dois efeitos: dividendos extraordinários acima do esperado (37% acima da nossa estimativa) em 2025 e a conclusão davenda da participação da Riva para a Riza.

O BBI mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22.

A XP Investimentos considera os dados operacionais da Direcional resilientes, impulsionados por números mais fortes da Riva e pela sólida geração de fluxo de caixa. Por outro lado, as operações da marca Direcional ficaram abaixo das expectativas em termos de volumes, contribuindo para um SoS mais baixo.

“A velocidade de vendas permaneceu fraca, em 21,2%, queda de 2,8 pontos percentuais na comparação anual e de 3,2 pontos percentuais frente ao trimestre anterior, impactada pela forte concentração de lançamentos em dezembro, que somaram R$ 717 milhões”, comenta JPMorgan.

O banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 21.

Segundo o Goldman Sachs, as vendas ficaram abaixo do esperado tanto na base de 100% quanto na participação da companhia, com desempenho 23% e 26% inferior às estimativas do banco, respectivamente. Os lançamentos também decepcionaram, ficando 6% e 7% abaixo das projeções.

O banco destaca que as vendas foram mais fracas tanto na comparação anual, com queda de 4% na base de 100%, quanto na trimestral, com recuo de 8%. Além disso, os estoques cresceram 8% e 7% na comparação sequencial, considerando a base de 100% e a participação da companhia, respectivamente, ficando 6% e 4% acima das estimativas. Com isso, os meses de estoque aumentaram para 11, ante 10 no 3T25. A relação vendas sobre oferta também ficou aquém do esperado, em 21%, frente à estimativa de 27%.

O Goldman Sachs reitera recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 20.

Even (EVEN3)

A Even divulgou seus números operacionais do 4T25, mostrando lançamentos de R$ 351 milhões no trimestre (quedas de 72% em base anual e de 76% no trimestre), refletindo três projetos: Plenitude Melo Alves, GO Madalena e Hub Perdizes, que somaram R$ 881 milhões em Valor Geral de Vendas, ou VGV (R$ 351 milhões em participação da companhia). No acumulado de 2025, os lançamentos chegaram a R$ 2,5 bilhões (aumento de 35% em base anual).

As vendas líquidas atingiram R$ 523 milhões no 4T25 (aumento anual de 42% e queda de 36% no trimestre), somando R$ 2,0 bilhões no ano (46% maior em base anual). A VSO (velocidade de vendas) consolidado foi de 13% no trimestre (vs. 19% no 3T25 e 12% no 4T24), enquanto a VSO de estoque ficou em 12%.

As entregas do trimestre totalizaram um projeto de 161 unidades (R$ 85 milhões em VGV em participação da companhia), enquanto no ano somaram 1.760 unidades e R$ 1,196 bilhão (queda de 27% em base anual). Já os distratos líquidos foram de R$ 36 milhões, com índice de distratos equivalente a11% das vendas.

A equipe de reserch do BBI avalia que a prévia traz impacto neutro para a tese. A companhia encerrou 2025 com crescimento robusto, sustentado por lançamentos 35% maiores e vendas consistentes, ainda que o 4T25 tenha mostrado desaceleração por bases mais duras de comparação.

Segundo BBI, a VSO estável em 13% reforça a resiliência comercial, enquanto a queda nas entregas já era esperada frente ao calendário de obras. Para 2026, o ambiente mais desafiador e a ausência de gatilhos de curto prazo mantêm a leitura de equilíbrio para o papel.

O BBI mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10, com EVEN3 negociando a 0,6 vez P/VPA (preço sobre valor patrimonial por ação), refletindo um valuation descontado, porém alinhado ao cenário atual do setor.

Lavvi (LAVV3)

Na avaliação do BBI, os números da Lavvi reforçam um trimestre sólido e com contribuição levemente positiva para a tese. O forte avanço sequencial em lançamentos e vendas, aliado à aceleração da VSO, demonstra boa tração comercial e execução consistente.

Segundo BBI, o aumento expressivo do landbank, agora em R$ 5,9 bilhões, garante visibilidade confortável de pipeline para 2026 e 2027, um diferencial relevante no atual ciclo do setor.

Apesar do consumo de caixa no trimestre, a margem de manobra operacional permanece preservada. O BBI mantém visão construtiva sobre o papel e reforça recomendação de compra, com LAVV3 negociando a 7,3 vezes o múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) para 2026 e retorno sobre patrimônio líquido (ROE) estimado em 25%.

Para BBA, os resultados operacionais da Lavvi foram positivos, com vendas acima das expectativas e um crescimento de 28%, impulsionado principalmente pelo forte desempenho de vendas tanto de projetos de alta quanto de baixa renda lançados no trimestre.

O Itaú BBA manteve recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 19, mas reconhece que elas já estão sendo negociadas a um múltiplo relativamente exigente de 6,0 vezes o P/L ajustado para 2026.

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