As
ações da CVC (CVCB3) avançam 5,39% nesta segunda-feira, 19, cotadas a R$ 2,54, recuperando parte das perdas expressivas registradas no pregão anterior, quando os papéis da companhia fecharam em queda de quase 11% na sexta-feira, 16.
O movimento de alta é impulsionado, principalmente, pela divulgação de um comunicado ao mercado informando o
aumento de uma participação acionária relevante na companhia.
Antes da abertura do mercado, a CVC informou que o BTG Pactual Gestão e Consultoria de Investimento, o
BTGP Gestão, atingiu uma fatia de aproximadamente 20,47% do total de ações ordinárias da empresa.
Segundo o comunicado, o
GJP Fundo de Investimento em Ações, sob gestão do BTGP,
passou a deter individualmente cerca de 20,02% do capital da companhia. A gestora ressaltou que a aquisição tem caráter estritamente financeiro e não tem como objetivo alterar o controle ou a estrutura administrativa da empresa.
Para especialistas, a entrada — ou reforço — de um acionista relevante ajuda a explicar a
reação positiva do mercado.
"A CVC teve uma troca de CEO bem inesperada e o mercado não gosta de instabilidade. Hoje, o investidor já começa a entender melhor o movimento e isso contribui para a recuperação do papel", afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
De acordo com Lopes, além da
digestão da mudança na gestão, o
aumento da participação acionária traz mais liquidez e confiança. "Um acionista com quase 20% da companhia exerce influência relevante no preço hoje", diz.
Na mesma linha, Felipe Sant’Anna, especialista do grupo Axia Investing, avalia que a informação é positiva por transmitir ao investidor uma percepção de confiança no trabalho que vem sendo feito na empresa. Ele pondera, no entanto, que esse
não deve ser o único gatilho para uma recuperação mais consistente das ações.
"Na própria sexta-feira, o papel já tinha recuperado cerca de 40% a 50% da queda intradiária, mesmo sem essa informação sobre o aumento de participação", afirma o especialista.
Sant’Anna também chama atenção para as distorções de preço geradas pelo forte movimento recente. Segundo seus cálculos, dependendo do preço médio de aquisição, a compra de cerca de 107 milhões de ações pode ter representado uma economia de dezenas de milhões de reais em relação ao pico do pregão de sexta-feira, quando o papel chegou a R$ 2,79.
"No mercado financeiro não tem bobo. Movimentos extremos costumam gerar oportunidades", diz.
Sexta foi dia de queda após mudança de gestão
Na sexta-feira, as
ações da CVC chegaram a despencar mais de 22% ao longo do dia, tocando R$ 2,10, após a empresa anunciar a troca no comando executivo. No fechamento,
a queda foi de 10,74%, com os papéis cotados a R$ 2,41.
A queda foi relacionada à notícia de que o conselho de administração aprovou a
nomeação de Fabio Mader como novo presidente-executivo, em substituição a Fabio Godinho.
Mader, que estava no cargo de vice-presidente de Produtos e Gestão de Receitas, tem mais de 20 anos de experiência no setor de turismo, sendo cerca de 15 deles na própria CVC. Godinho havia assumido a presidência em 2023 com a missão de conduzir a reestruturação da empresa após os impactos da pandemia.
Apesar da reação negativa inicial do mercado,
analistas do Santander avaliaram a mudança como positiva e alinhada ao atual momento da companhia, classificando o
impacto como neutro no curto prazo.
Segundo o banco, a transição sinaliza a passagem de uma fase de reestruturação para um novo ciclo focado em execução, rentabilidade e crescimento, com prioridade para o fortalecimento do balanço e redução da alavancagem.
Ainda assim, o
timing da troca pesou contra o papel, segundo Ian Lopes. "A reação não foi uma rejeição ao novo CEO, mas ao momento da mudança. A CVC já vive um período prolongado de estresse desde a pandemia, e qualquer sinal de instabilidade gera ruído", afirmou na ocasião.
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