CVC troca de comando e ação despenca mais de 20% na bolsa

As ações da CVC registram forte queda na bolsa nesta sexta-feira, 16, um dia após a companhia anunciar uma troca na presidência-executiva. Por volta das 14h, os papéis chegaram a recuar 22,2%, cotados a R$ 2,10, enquanto o Ibovespa caía 0,65%. Mais tarde, às 14h47, a queda era menor, mas ainda expressiva: baixa de 16,30%, com a ação negociada a R$ 2,26.
Na noite de quinta, 15, a CVC informou que o conselho de administração aprovou a indicação de Fabio Mader como novo presidente-executivo, no lugar de Fabio Godinho. Godinho havia sido nomeado para o cargo em 2023 com a missão de conduzir a reestruturação da companhia.
Segundo a empresa, Fabio Mader possui mais de 20 anos de experiência no setor de turismo, sendo cerca de 15 anos na própria CVC.
Em fato relevante, a companhia afirmou que, nos últimos anos, o executivo esteve diretamente à frente de agendas centrais da transformação da empresa, o que o credenciou para assumir a presidência. Mader ocupava, até então, o cargo de vice-presidente de Produtos e Gestão de Receitas.

Impacto é neutro, segundo o Santander

Em relatório, analistas do Santander avaliaram a mudança como positiva e alinhada ao momento atual da companhia. De acordo com o banco, a nomeação marca a transição de uma fase de reestruturação para um novo ciclo focado em execução, rentabilidade e crescimento.
O Santander destaca ainda que a estratégia deve priorizar crescimento com maior lucratividade e o fortalecimento do balanço, com redução da alavancagem.
O banco ressalta o histórico de Fabio Mader no setor e dentro da própria CVC, além de sua atuação em melhorias de produtos nos últimos anos. Apesar da queda dos papéis hoje, a instituição diz observar a mudança como "natural, sem impacto estrutural relevante, com expectativa de reação neutra do mercado no curto prazo".
"O Sr. Godinho deixa a empresa após desempenhar um papel fundamental na liderança da recuperação da empresa após o período desafiador durante a pandemia. Consideramos essa mudança um próximo passo natural na estratégia existente, e não uma mudança significativa; portanto, esperamos uma reação neutra do mercado ao anúncio na sessão de negociação", afirmou o banco no documento.

Timing é ruim, diz analista

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, observa que a forte reação negativa do mercado às ações da CVC não está relacionada a uma rejeição ao novo CEO, considerado um executivo qualificado, mas sim ao momento em que a troca foi anunciada.
Ele lembra que companhia já enfrenta um período prolongado de estresse desde a pandemia, com desempenho fraco no pós-crise, o que torna o papel mais sensível a qualquer sinal de instabilidade.
As ações estão na lista das maiores quedas desde a pandemia, que considera empresas com volume financeiro médio diário superior a R$ 1 milhão dia nos últimos 30 dias. Nesse cenário, a CVC já havia caído 92,63% até setembro de 2025, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria. 
"As ações da CVC tinham um desempenho muito bom até pandemia, após esse período o papel está relativamente sofrido, então o mercado está reagindo ao timing. O mercado gosta de estabilidade e previsibilidade. Todo sinal de instabilidade gera um ruído, e aí nesse caso está sendo isso", afirmou Lopes.
 



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